segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Bloquei o WhatsApp e Bolsonaro cai

   Bolsonaro não fez campanha nas ruas desde que, em 6 de setembro, foi esfaqueado durante um ato eleitoral, que o deixou à beira da morte. Seu domínio nas redes sociais é, não obstante, incontestável.
Aquele velho brocardo “se deligar a televisão acaba determinado governo” tem que ser adaptado para a eleição deste ano: “se bloquear o WhatsApp, acaba o Bolsonaro’.

Segundo o Datafolha, 6 em cada 10 eleitores de Jair Bolsonaro dizem ler notícias no WhatsApp.

O jornal Folha de S. Paulo contabiliza que 97% das notícias disseminadas pelos bolsomistas na rede social são falsas — as pragas das fake news.

Há quem suspeite que a mesma equipe de Donald Trump, nos EUA, que difamou Hillay Clinton, trabalha para o ex-capitão do Exército no Brasil.

Veja também:

  A campanha de Fernando Haddad (PT), no 2º turno, já trabalha estrutura superior para fazer o contraponto no “zap-zap”.


Efeito manada

   A estratégia no WhatsApp (aplicativo usado por 120 milhões de brasileiros), capitaneada por um dos filhos do candidato, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), buscou criar uma onda de apoio ao candidato e, por consequência, atrair o eleitor que tradicionalmente vota em quem está na frente - o tal efeito manada.

   "Existe uma relação entre características dos lugares e o apoio eleitoral dos habitantes. Quando mais uma pessoa vivencia aquele 'lugar', pertencente a uma rede de informações locais, maior é a probabilidade de ela se comportar como o eleitor médio daquele lugar", explica pesquisador Aleksei Zolnerkevic, doutor em Geografia na USP.

   Sem o financiamento de empresas privadas e com baixa influência do horário eleitoral na disputa majoritária, redes sociais como Facebook e principalmente o WhatsApp foram o principal meio para a troca de informações sobre o voto.

  "Antes da eleição, 75% das pessoas entrevistadas recebiam informações políticas via WhatsApp; hoje, o número chega a 100%, principalmente por meio de vídeos e memes", afirma Maurício Moura, pesquisador da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, e fundador da Ideia Big Data, que realiza pesquisas de opinião via celular. Segundo o Datafolha, 7 em 10 eleitores usaram o WhatsApp para se informar sobre candidatos.